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Intervalo, respiro, pequenos deslocamentos: ações poéticas do Poro

O Poro, formado por Brígida Campbell e Marcelo Terça-Nada, está lançando seu livro. A dupla de intervenção urbana registra em imagens e textos o percurso e o embate de sua poética. De minha parte, a alegria torna-se maior por ter escrito, juntamente com Daniel Toledo, um dos artigos. Escreveram também: André Brasil, Anderson Almeida, Daniela Labra, André Mesquita, Ricardo Aleixo, Renata Marques com Welington Cançado e Newton Goto.

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Travessia de Arnaldo

Deu-se no dia 01.02.2011 a travessia de Arnaldo Garrôcho, meu pai, aos 94 anos de idade. Que o bardo da vida e da morte dessa possa lhe trazer alento e clareza. Morreu em casa, sem passar pelos hospitais e pelos procedimentos invasivos. O que para uns é  um privilégio, para outros uma sorte, e para alguns, uma maestria.

Arnaldo foi um cirurgião dentista, nascido em Teófilo Otoni, que veio para Belo Horizonte com sua família na década de 1960. Trabalhou no antigo INPS e no seu consultório particular. O meu irmão mais velho, também chamado Arnaldo, seguiu a mesma profissão.

Os últimos dias de meu pai foram aqueles em que todas as questões nos acossam e nenhuma resposta nos socorre. A não ser aquela que o azul dos seus olhos exibia: algo está se passando.

Para além e por entre as cotidianas facetas, vejo no meu pai os traços do empírico, do existencialista dramático, do contador de histórias e do clown.

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Política cultural: redes ou centralidade?

Imagem: Glenio Campregher

A transição política no Ministério da Cultura já apresenta os primeiros sinais de mudança. A pergunta: em que medida o discurso de posse da Ministra da Cultura, Ana de Holanda (01), modifica ou reafirma as conquistas culturais ocorridas na gestão de Gilberto Gil e, de certo modo, garantidas por Juca Ferreira?

Uma análise nessa direção deve nos precaver, entretanto, de cair numa possível negatividade. Opor-se ao outro, diria Nietzsche, é próprio da fraqueza. A potência, ao contrário,  quer afirmatividade.  Por isso mesmo, o artigo em tela não esconde sua opção: afirma a importância da política cultural colocada em prática por Gilberto Gil e Juca Ferreira. Não por ser “propriedade” de alguém, mas por ter ocorrido uma apropriação da ordem da multidão conectada (e não das massas). E também porque foi objeto de discussão pelo país afora. Manifestamos, assim, nosso desejo de continuidade e, mais do que tudo, queremos o avanço social dos mecanismos de gestão pública implantados, entre eles a participação de amplos setores da sociedade civil.

Estamos no momento, portanto, de anotar e avaliar a transição política no Ministério da Cultura. Todas as nossas boas-vindas a essa pessoa que é Ana de Holanda. Se examinamos algumas de suas posições, o fazemos para discutir ideias e não pessoas. E alguns pontos merecem destaque.

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Nova cruzada moral e caça às bruxas: o pixo em Belo Horizonte

Imagem do Blog Mene Lick 2o Ato

“Mais quantas gerações de jovens ainda vão escalar paredes como bichos e inventar sua própria língua, para nos dizer que sim, são gente? Fernando de Barros e Silva, Folha de São Paulo

Mudança de orientação em termos de política pública?

Para alcançar a meta de tornar Belo Horizonte uma “cidade sustentável”, a atual Administração Municipal de Belo Horizonte tem, entre suas diversas estratégias, e com o apoio de um promotor do Ministério Público Estadual, o enquadramento de jovens pixadores por crime de “formação de quadrilha”, o que os faz aguardar julgamento em presídio, por tempo indeterminado. Se não é esta a intenção, é o que está de fato acontecendo. Ou o que se pretende que aconteça.

Basta citar o exemplo que vimos denunciando neste blog, o de um grupo de jovens pixadores,  autointitulados Piores de Belô, que foram autuados e presos por 117 dias, até que se iniciasse o julgamento. Por decisão do juiz na primeira audiência, os jovens retornaram aos seus lares para passar Natal e Ano Novo com as famílias, aguardando a continuidade do julgamento em liberdade.

Concluiu-se que os jovens atuavam em “bando”, logo, em “quadrilha”. Daí, mudar o enquadramento para o Artigo 288 do código penal, foi um passo. Torna-se evidente a perversidade desta estratégia, cujo objetivo é realmente o “recrudescimento da repressão”, segundo a expressão utilizada pelas autoridades. Ora, como os adolescentes e jovens vivem em grupos, seja para brincar, jogar, aprender sobre a vida, a utilização do recurso cai como luva na intenção de utilizar a penalidade máxima disponível!

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Fire! Fire! Fire! O revide da multidão conectada

Quando vi a conta do Twitter intitulada Operation Payback disparar Fire! fire! Fire! weapons! – direcionando todos ao endereço de uma grande empresa de cartões de crédito, fiquei tomado de uma emoção surpreendente. Estava observando, ao vivo, o revide dos “piratas vingadores”, segundo a expressão de Umberto Eco. A operação “dar o troco”, surgida num coletivo de ativistas online autointilulados Anonymous, definiu-se como um repúdio ao cerco que o Departamento de Estado dos EUA, juntamente com outros governos, fizeram ao site WikiLeaks. Dedicado ao jornalismo livre e investigativo, o site havia publicado documentos secretos, reveladores de como os poderes estão se relacionando com os seus cidadãos.

É importante lembrar que a Operação Payback não teve por objetivo a destruição da infraestrutura das empresas atacadas. Eles derrubaram símbolos, ou seja, apenas tiraram as páginas do ar. A meta é levantar o cerco ao WikiLeaks e chamar a atenção para o problema.

Como é possível que, em pleno século XXI, quando qualquer oposição e resistência ao capitalismo e aos poderes parecem inócuas, pode surgir uma modalidade de resistência, baseada na internet, que se utiliza da força produtiva liberada por esse mesmo capitalismo?