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Arte e Cultura

Maranhão: documentário de Glauber Rocha

 

O Arte Esquema, no auge das mazelas apodrecidas  e expostas na mídia sobre o Senado, brindou-nos com as imagens de Maranhão 66, filme de Glauber Rocha, encomendado em 1966 pelo então governador José Sarney, para documentar sua posse. O tiro saiu pela culatra: Glauber Rocha foi além da encomenda e revelou as contradições, o delírio discursivo e o transe.

Agora que o assunto parece ter sido enterrado, revejo o filme e constato a beleza de sua composição. Estão ali os elementos de Terra em Transe (Glauber confirma que utilizaria as experiências de som direto, a vivência de uma posse política etc.). Foi muito explorada, na ocasião,  a oposição discurso e miséria, o retrato do nosso populismo etc. Porém,  o filme é isso tudo e mais: o barroco de Glauber, a força de sua montagem, o delírio das imagens.

Uma aula de composição.

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Arte e Cultura Filosofia Geral

Filosofia e arte: Interseções

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O Programa de Educação Tutorial da Filosofia – UFMG está lançando seu novo Projeto e Calendário: Interseções – Filosofia e Arte. Este Olho-de-Corvo estará lá, participando desse encontro, na abertura, juntamente com o Prof. Dr. Gilson Motta (UFOP), com o tema Filosofia e Teatro.

Segundo o texto de apresentação do Programa, “O PET é desenvolvido por grupos de estudantes, com tutoria de um docente, organizados a partir de cursos de graduação das Instituições de Ensino Superior do país, sendo um grupo por curso, orientados pelo princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e educação tutorial.”

As Interseções ocorrem no auditório da Fafich, no Campos da UFMG em Belo Horizonte e as entradas são francas.

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Arte e Cultura Geral Políticas culturais Zonas Experimentais [ZnEx]

Experimentação artística em pauta: do contemporâneo ao intempestivo

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Das Zonas de Experimentação (ZnEx)

A experimentação artística está em pauta. Posso assim resumir a noite do dia 30.07.08, na ocasião de reabertura do Teatro Klaus Vianna, em Belo Horizonte, que faz parte do projeto Oi Futuro, incluindo o lançamento da Semana Internacional de Artes Digitais e Alternativas (SIANA-BH). Esta última, uma iniciativa da Cia Luna Lunera de teatro. Estamos definitivamente entrando em outra realidade de produção em arte e cultura. Não em termos de novo paradigma, uma superação do passado ou de outras formas de expressão, ou coisas assim. Em vez de uma  ultrapassagem, o que temos é a estranha co-habitação de criações artísticas e atitudes existenciais completamente heterogêneas entre si.

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Arte e Cultura Geral Literatura

A fala errante: Blanchot

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Imagem de Tomas Rotger

“Devemos, em primeiro lugar, tentar reunir alguns dos traços que a abordagem do espaço literário permitiu-nos reconhecer. Aí, a palavra não é um poder, não é o poder de dizer. Não está disponível, de nada dispomos dela. Nunca é a linguagem que eu falo.  Nela, jamais falo, jamais me dirijo a ti e jamais te interpelo. Todos esses traços são de forma negativa. Mas essa negação somente mascara o fato mais essencial de que, nessa linguagem, tudo retorna à afirmação, que o que nega nela afirma-se. É que  ela fala como ausência. Onde não fala, já fala: quando cessa, persevera. Não é silenciosa porque, precisamente, o silêncio fala-se nela.  O próprio da fala habitual é que ouví-la faz parte de sua natureza. Mas, nesse ponto do espaço literário, a linguagem é sem se ouvir. Daí o risco da função poética. O poeta é aquele que ouve uma linguagem sem entendimento.

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Arte e Cultura Artes Cênicas Geral Zonas Experimentais [ZnEx]

Everyone has a dream: Tiago Gambogi e Margaret Swallow

Foto de Guto Muniz

Tiago Gambogi e Maggi Shallow estão apresentando o novo espetáculo, ‘EXTRAORDINARY’ – Everyone has a dream – um teatro físico que é um misto de dança, texto, ação poética e música. Veja mais sobre o novo trabalho do seu grupo sediado em Londres, f.a.b. The Dtonators, no My Space.

Conheci Tiago Gambogi no Curso Técnico de Ator  da Fundação Clóvis Salgado, quando ele foi meu aluno por uns poucos meses. Ali, pude perceber a estranha sensibilidade de Tiago. Realizávamos alguns jogos com objetos, de modo não realista. Ele acionava sua imaginação e criava situações inusitadas e sensíveis, exigindo dos seus parceiros de jogo uma atualização constante. Qual era o segredo? Ele brincava, se envolvia, acreditava nos estímulos que gerava no espaço. Era generoso e não se furtava ao que acontecia na cena.

Tiago queria mais. E  logo partiu para outra, pois a formação de ator era determinada, naquela época, pelos  ingredientes clássicos e interpretativos. O que não lhe fazia a cabeça. Resolveu, então, desembarcar no Oficcina Multimédia, um grupo de pesquisas teatrais performativas. De lá tomou rumos mais radicais, estudando dança e performance, até criar seu próprio grupo, com a parceira Margaret Swallow. Vez por outra temos a oportunidade de assistir, aqui no Brasil e em Belo Horizonte, seus trabalhos. O último, Made in Brasil, tem um texto neste blog: Uma conexão Londres-BH.

Todo mundo tem um sonho.