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Política de cultura: o balanço das horas

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Algumas pessoas perguntam se é possível, no âmbito das políticas públicas de cultura, realizar um trabalho que contemple a diversidade, a inovação, a transdiciplinaridade, os novos agenciamentos e apropriações coletivas e democráticas dos espaços e tempos.

Respondo afirmativamente. E como termino um ciclo de gestão cultural, quando estive à frente dos Teatros da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte (2005 a 2009), apresento este pequeno balanço das horas.

A imagem acima  traz a página de um dos jornais de Belo Horizonte (Jornal O Tempo, matéria de Daniel Barbosa ), mostrando a arrancada da ação. Na foto, Ricardo Aleixo e Renato Negrão, poetas e performers que se apresentaram no evento de abertura com outros artistas, lançando também a Zona de Invenção Poesia &, parceira  da Arte Expandida.

Hip Hop e a filosofia

Dei de cara com um livro muito interessante: Hip Hop e a filosofia – da rima à razão, coordenado por William Irwin e com a coletânra de textos organizada por Derrick Darby e Tommie Shelby.

O livro não procura simplesmente situar fundamentos filosóficos na cultura Hip Hop, como se ela precisasse disso. Ao contrário, discute letras, atitudes exitenciais, comportamentos, modalidades de ativismo e resistência política. O livro discute a violência da polícia contra os negros, comportamentos sexuais, papel da mulher etc. Lamentável que não haja, por parte dos editores brasileiros, qualquer referência ao movimento Hip Hop no Brasil.

Em tempo: na nossa gestão nos Teatros da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, criamos o Hip Hop in Concert. Impressionante a presença, gente vindo de todos os cantos da cidade. Garotos da periferia misturados com garotos da classe média. Famílias de jovens do movimento com crianças ao colo e nas costas. O Teatro Municipal Francisco Nunes é tomado por uma onda pacífica e celebrativa. E é impressionante a força dos discursos e das poéticas desses jovens da periferia da cidade. Alguns dizem que a periferia é pobre em cultura. E eu perguntaria para essas pessoas: você recita poesia ao vivo, com ritmo?

Fica uma citação, de Bill E. Lawson, “Comandos do microfone: Rap e filosofia política”:

“Estamos em guerra. é uma guerra para as mentes, os corações e as almas das pessoas negras. Essa é a mensagem do rap revolucionário e daqueles politicamente conscientes na comunidade Hip Hop.”

Referências:

DARBY, Derrick e SHELBY, Tommie. Hip Hop e a filosofia: da rima à razão. Tradução de Matha Malvezzi Leal. São Paulo: Madras Editorial., 2006.