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Ars Industrialis: uma ecologia do espírito

O site Ars Industrialis, em francês, com versão para o inglês, espanhol e alemão, convida-nos a pensar a submissão das tecnologias do espírito às forças do mercado, nas sociedades de controle (Deleuze). Esse é “um controle e manipulação dos desejos de indivíduos e grupos, de suas verdadeiras possibilidades existenciais, daquilo que somente existe como singularidades.”

Ars Idustrialis tem por referência o pensamento do pensador francês Bernard Stiegler, diretor do departamento de desenvolvimento cultural do Centro Georges Pompidou, filósofo e doutor do Collège international de philosophie, professor da Université de Campiègue, e diretor de pesquisa da Connaissances, Organisations et Systèmes Techniques, e diretor adjunto do InstitutNational de l’Audiovisuel, puis directeur de l’IRCAM. No Brasil, temos a coletânia de textos de Bernard Sitegler (1) organizada e traduzida pela pesquisadora em performance art, Maria Beatriz de Medeiros, do Grupo Corpos Informáticos. Veja, também, a resenha de Priscila Arantes sobre o livro de Sitegler, na Revista eletrônica Polêmica Imagem número 21.

Stiegler discute a arte no viés das sociedades hiperindustriais, das singularidades, do controle e exaustão da libido dos indivíduos e grupos, e das estratégias de liberação.

Referências:


(1) MEDEIROS, Maria Beatriz de (orga. e trad.). Bernardo Stiegler – reflexões (não)contemporâneas. Chapecó: Argos, 2007
_____________________. Aisthesis – estética, educação e comunidades. Chapecó: Argos, 2005.
ARANTES, Priscila. Miséria afetiva, ou como os meios de comunicação liquidam o indivíduo. In: Revista Polêmica Imagem, número 21. Rio de Janeiro: UERJ, julho/setembro de 2007.

Do relativismo

Ricardo Alves Júnior, parceiro de pensamento & cena, escreveu sobre o relativismo a que me referi:

O que tento provocar é sair dessa pequena crítica onde critérios de verdades são aplicados a discursos, a formas, a paixões.

Arte não seria paixão e desejo?

Sei do risco que estou correndo em apostando nesse relativismo. Mas a historia do pensamento crítico já nos mostrou que o que temos são discursos. Temos múltiplos discursos frente a um mesmo ponto (chamem como queira : objeto, imagem, coisa…)

Estou pensando assim.
Para que ficar buscando uma verdade intrínseca?
Acredito que é mais potente ver como os discursos se organizam. Como cada mundo delirante está contido por detrás de cada discurso.

(O melhor exemplo é seu blog. Esse convite para delirar que você esta propondo a todos.)

O que importa é expor seu discurso, sua parcela de verdade, sua moral.
Importa é construir uma ética pessoal, um corpo sem órgãos.

Encontrar sua força, sua potencia, suas linhas de fuga.
Isso me ensinou o cinema: enquadrar o mundo é enquadrar uma única porção da realidade. Existem outras infinitas porções. Pois bem faça a sua… e me deixe livre..

Agora, sabemos que discurso é poder…
Assim sobrevive a academia que não amamos. Essas são suas regras. Apontar “problemas conceituais” sem nenhuma paixão e desejo; longe de ser arte. De arte eles não entendem.
Esse academismo nos leva a construir um mundo de verdade onde não existe a coexistência e nem a multiplicidade.
Arte e como paixão e desejo: coexiste, habita diferentes mundos, está regida por pulsões.

É dionisíaco, mas também apolíneo.

O relativismo em que digo é minha prática diária para sair de esse pseudolugar de verdade objetiva que imperou e ainda impera no discurso dominante, principalmente em relação a arte. Esse relativismo é o lugar que encontro para chegar a coexistências e a multiplicidades que são os princípios nos quais acredito… Hoje, essas são minhas verdades.

Ricardo Alves Júnior