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Nova cruzada moral e caça às bruxas: o pixo em Belo Horizonte

Imagem do Blog Mene Lick 2o Ato

“Mais quantas gerações de jovens ainda vão escalar paredes como bichos e inventar sua própria língua, para nos dizer que sim, são gente? Fernando de Barros e Silva, Folha de São Paulo

Mudança de orientação em termos de política pública?

Para alcançar a meta de tornar Belo Horizonte uma “cidade sustentável”, a atual Administração Municipal de Belo Horizonte tem, entre suas diversas estratégias, e com o apoio de um promotor do Ministério Público Estadual, o enquadramento de jovens pixadores por crime de “formação de quadrilha”, o que os faz aguardar julgamento em presídio, por tempo indeterminado. Se não é esta a intenção, é o que está de fato acontecendo. Ou o que se pretende que aconteça.

Basta citar o exemplo que vimos denunciando neste blog, o de um grupo de jovens pixadores,  autointitulados Piores de Belô, que foram autuados e presos por 117 dias, até que se iniciasse o julgamento. Por decisão do juiz na primeira audiência, os jovens retornaram aos seus lares para passar Natal e Ano Novo com as famílias, aguardando a continuidade do julgamento em liberdade.

Concluiu-se que os jovens atuavam em “bando”, logo, em “quadrilha”. Daí, mudar o enquadramento para o Artigo 288 do código penal, foi um passo. Torna-se evidente a perversidade desta estratégia, cujo objetivo é realmente o “recrudescimento da repressão”, segundo a expressão utilizada pelas autoridades. Ora, como os adolescentes e jovens vivem em grupos, seja para brincar, jogar, aprender sobre a vida, a utilização do recurso cai como luva na intenção de utilizar a penalidade máxima disponível!

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O graforisco: pixo, poesia do acaso e política pública

” (…) na transversal da cidade PALAVRAS-OBJETOS-COISAS que são também as EMOÇÕES OBJETOS/ABJETAS estampadas nos muros, casas, muretas. para quem quiser e/ou mesmo não quiser ver. (…) sair na calada da noite – PIXAR-PIXANDO – como se a rebelião estivesse no fato de buscarmos um outro sentido das palavras.” Cristina Fonseca, in A Poesia do Acaso – na transversal da cidade.

A escritora, poeta e videoartista, Cristina Fonseca, publicou A Poesia do Acaso em 1981. De lá para cá, o livro conserva o momento e o contexto de sua criação e, ao mesmo tempo, permanece atual, principalmente nessa discussão sobre o estatuto do pixo nas grandes cidades.

Uma discussão urgente, tendo em vista que, em Belo Horizonte, as autoridades municipais decidiram que os jovens pixadores devem ser enquadrados não mais na lei de “crime ambiental”, mais branda, mas como “formação de quadrilha”. Como denunciamos num artigo anterior (Pixo: criminalização ou política pública?), os jovens aguardam julgamento por tempo indeterminado, misturados com criminosos de toda espécie.  

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O Teatro de Grupo: uma resposta aos mestres

Imagem: Tomás Rotger

Dois diretores do Teatro Mineiro deram uma entrevista ao jornal O Estado de Minas, que foi intitulada de  “Vozes da Experiência”. O que eles disseram tem a ver exclusivamente com a configuração dos agenciamentos maquínicos pelos quais estão passando. E assim com qualquer artista e ser humano engajado na luta pela criação ou pela produção de si.

Porém, em alguns trechos a entrevista deprecia todo um movimento deflagrado pela produção de Teatro de Grupo. E é justamente aí que a coisa se complica. Os dois diretores, Pedro Paula Cava e J. D’angelo, acabaram gerando uma polêmica. Principalmente porque o outro lado, depreciado pelas críticas, não foi ouvido.

Gustavo Bones, jovem artista e um dos fundadores de um dos mais criativos e aplaudidos (por público e crítica) grupos de teatro de Belo Horizonte, o Espanca, devolveu o troco. A partir das mesmas perguntas feitas pelo jornalista, Gustavo Bones fez outra entrevista, intitulada, não sem um tom de ironia,  de “Resposta aos Mestres”.  Como o texto de Gustavo circulou em email aberto, não sendo obviamente publicado pelo jornal, abrimos o espaço para a sua réplica. Passemos, então,  ao conteúdo da matéria, apresentando no  final desta os link para a entrevista que originou a resposta, incluindo tréplica e outras repercussões.

Interfaces entre a produção editorial e a produção cultural

Estarei na Semana da Produção Editorial e Talentos Editoriais, evento realizado pelo Uni-BH, discutindo a “Gestão de políticas públicas para a cultura – o desenho de projetos culturais: recorte, desenvolvimento e monitoramento – diálogos com a cidade.” Farei uma exposição que terá por base, principalmente, minha experiência na direção do Centro de Cultura Belo Horizonte (1999-2004) e na Diretoria dos Teatros da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte (2005-).

A seguir, um texto da Coordenadora do Curso, Ludmilla Skrepchuk:

“O curso de Produção Editorial do Centro Universitário de Belo Horizonte- UNI-BH promoverá entre os dias 02 e 04 de outubro, no Auditório do Espaço de Convívio, do campus Diamantina, a partir das 19h, a Semana de Produção Editorial cujo tema será: “As interfaces entre a produção editorial e a produção cultural”.
O evento tem o intuito de discutir a abrangência das possibilidades de atuação dos produtores editoriais no contexto das produções culturais e das manifestações artísticas, seja na grande indústria cultural ou em eventos e espetáculos alternativos ou subsidiados pelas leis de incentivo à cultura.
Na tentativa de promover a aproximação dos profissionais de produção editorial com as demandas e necessidade dos produtores artísticos e executivos, criando conexões entre o fazer do campo da editoração impressa, eletrônica e digital com a produção e divulgação de espetáculos e produções culturais nas mais diversas áreas: teatro, música, gastronomia, dança, enfim, o encontro da arte com as técnicas, tecnologias e teorias que perpassam o campo de atuação profissional dos produtores editoriais, numa perspectiva de complementariedade entre essas áreas.
Partimos do pressuposto de que nossa ferramenta fundamental é a formatação de produtos midiáticos e que todo e qualquer espetáculo prescinde da mídia para alcançar seu público. Sendo assim, o lugar da arte entrecruza-se com a editoração midiática.”