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Corpo e movimento (e): anotações sobre as tentativas de um encontro

Imagem Spitfirelas

Fiquei de escrever sobre o Encontro de Criadores e Coreógrafos do Festival NovaDança, em Pirenópolis.

Na primeira parte faço um relato breve do Encontro, trazendo para a tela algumas coisas que anotei no meu caderno. E na segunda parte apresento algumas questões que me rondaram e ainda me visitam. Não são propriamente as questões da dança, mas aquelas que um pesquisador e criador no campo das fronteiras borradas entre teatro e dança.

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Festival Novadança: Encontro de Criadores e Coreógrafos


O Festival Novadança, de Brasília, sempre promove o Encontro de Criadores e Coreógrafos: um tempo e um espaço para acontecer coisas, expor idéias e pesquisas. Desta vez, o evento ocorre em Pirenópolis. É uma imersão de 07 dias, mais de 10 horas por dia, em temas da dança e suas conexões. Coragem, diria o meu amigo André Ferraz! A direção do Festival me convidou para participar do Encontro. Estaremos lá, entre os dias 09 e 15 de fevereiro, discutindo as fronteiras da criação, do movimento e do corpo, assim como as transdisciplinaridades.

Posso adiantar algumas questões que têm me tomado nestes dias: as possíveis conexões entre a pesquisa improvisacional e os estudos relativos ao campo da emergência e da meta-estabilidade, as poéticas dos corpos não treinados, oTeatro Físico, os estudos de composição e indeterminação (Cage) etc. No entanto, num encontro desses, acredito que o melhor é sintonizar-se com o não-pensado – deparar-se com o fora, como diz Blanchot. Aliás, nossa vida é criar estratégias para isso: olhos novos para o novo.

Corpo Aberto

Um novo Projeto de Rodrigo Quik:

“O próprio nome “Corpo aberto” foi sendo o nosso norte. Será mais ou menos os nossos corpos se abrindo para nós mesmos , nossas buscas e pesquisas se abrindo para a exploração do movimento como fim . Tudo isso dentro de regras específicas e claras, sem objetivar um resultado espetacular e totalmente pronto na web . Correr riscos, descobrir este novo espaço da web para o corpo e o movimento . Buscaremos os meios pelos quais faremos a pesquisa e a presença como fim.”

Eduardo Fukushima: repercussões

De Clésio Luiz S. Júnior, sobre a performance Entre Contensões:

“Há algum tempo venho me interessando e intensificando pesquisas em
Grotowski. Pude conhecer o Zikzira e acabei por encontrar o seu blog, que aliás tem ótimo conteúdo e dicas acerca da arte do ator nas suas mais diversas vertentes, e acabei me associando a ele [por isso recebi seu artigo].

Também fui conferir o Eduardo Fukushima – e me aproximar da Zikzira para fomentar minhas pesquisas – e de fato, o trabalho dele é bastante peculiar no que diz respeito à dança. As ações físicas são uma prática no teatro, já a precisão de uma partitura ou uma sequência de movimentos precisos pouco se vê nesse mesmo teatro.

O interessante em Fukushima é que sua partitura de ações físicas conta com uma expressividade lotada de signos e é isto que faz a diferença em sua dança, mais do que ritmo e movimento, a dança de Fukushima é rica de gestos e significados.

Ouvir Eduardo, Helena, Zikzira e a platéia alimentou ainda mais as idéias e sensações daquela noite. No que diz respeito ao seu comentário sobre “religião” tendo a endossá-lo. Há, de fato, no trabalho de criação do ator/bailarino, do artista de modo geral [artista no sentido puro da palavra], uma relação imaterial e de transcendência ou, pelo menos, de uma metafísica da interioridade que coloca o sujeito artista em convergência com seu ego, com seu eu, tornando a consciência de si e do mundo um tanto mais aguçada.”