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55 anos do golpe militar de 1964: tragédia e farsa

Arquivo Nacional/Correio da Manhã

Do terror e do medo em 1964 à comemoração, em 2019, do regime que perseguiu, torturou e matou

Passei parte da minha infância, adolescência e juventude sob a sombra temida do regime de ditatura militar, deflagrada nos seus termos em 1 de Abril de 1964, mas registrada como ocorrendo em 31 de Março (para não ser associada ao dia da mentira). O atual (des)governo adiantou-se para emitir uma ordem do dia que foi lida nos quartéis do país como comemoração e exaltação da intervenção na vida civil do país.

Já se disse que a história acontece pela primeira vez como tragédia (1964) e a segunda como farsa (2019). Na primeira versão, fabricou-se na embaixada dos EUA a narrativa de que o governo João Goulart era comunista e pretendia instalar uma república socialista-sindicalista no Brasil. Imprensa, empresariado e uma ampla classe média conservadora embasaram e promoveram essa narrativa.

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Os 50 anos do golpe militar e o general de dedo em riste

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Escada de acesso às celas do extinto DOI-CODI, centro de tortura da ditadura militar em SP
Por: Roney Domingos – Globo.com

 

O general da reserva, Leônidas Pires Gonçalves, continua de dedo em riste. Mesmo depois das últimas evidências, incluindo depoimento de militares comprovando torturas e assassinatos.  Ele continua dizendo que o golpe de 1964 foi uma “revolução democrática”.  Antes da Comissão da Verdade ser instaurada, negava de modo contundente as denúncias. Agora, numa entrevista recente à Folha de São Paulo, o general passa a fazer a defesa do assassinato, quando realizado pelo Exército:

“O militar cumpre ordens. Contra bandido, você não pode fazer outra coisa. Na hora da guerra, é matar. Não somos pacifistas na hora da guerra. O soldado é o cidadão de uniforme para o exercício cívico da violência. Por que não quero o Exército na rua fazendo o papel de polícia? Somos bélicos, não sabemos botar algema ou usar cassetete, sabemos dar tiro.”

Tal argumento demonstra que não há Lei. E tampouco qualquer evidência, prova ou testemunho. E o general continua de dedo em riste – algumas vezes intimidando o interlocutor:  “Já vi que sua posição é meio esquisita”.

Então, general, se o soldado cumpre ordens, quem deu as ordens de sequestrar, torturar, matar e ocultar cadáveres?  Continue lendo Os 50 anos do golpe militar e o general de dedo em riste