Filosofia

Gilles Deleuze
Gilles Deleuze

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<Imanência: uma vida – Gilles Deleuze>

O que é um campo transcendental? Ele se distingue da experiência, na medida em que não remete a um objeto nem pertence a um sujeito (representação empírica). Ele se apresenta, pois, como pura corrente de consciência a-subjetiva, consciência pré-reflexiva impessoal, duração qualitativa da consciência sem um eu. Pode parecer curioso que o transcendental se defina por tais dados imediatos: falaremos de empirismo transcendental, em oposição a tudo que compõe o mundo do sujeito e do objeto. Há qualquer coisa de selvagem e de potente num tal empirismo transcendental. Não se trata, obviamente, do elemento da sensação (empirismo simples), pois a sensação não é mais que um corte na corrente da consciência absoluta. Trata-se, antes, por mais próximas que sejam duas sensações, da passagem de uma à outra como devir, como aumento ou diminuição de potência (quantidade virtual).

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<Bergson: 1859-1941 – Gilles Deleuze>

Um grande filósofo é aquele que cria novos conceitos: esses conceitos ultrapassam as dualidades do pensamento ordinário e, ao mesmo tempo, dão às coisas uma verdade nova, uma distribuição nova, um recorte extraordinário. O nome de Bergson permanece ligado às noções de duração, memória, impulso vital, intuição. Sua influência e seu gênio se avaliam graças à maneira pela qual tais conceitos se impuseram, foram utilizados, entraram e permaneceram no mundo filosófico. Desde Os dados imediatos, o conceito original de duração estava formado; em Matéria e memória, um conceito de memória; em A evolução criadora, o de impulso vital. A relação das três noções vizinhas deve indicar-nos o desenvolvimento e o progresso da filosofia bergsoniana. Qual é, pois, essa relação?

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<Filiação intensiva e aliança demoníaca – por Eduardo Viveiros de Castro>

Para a minha geração, o nome de Gilles Deleuze evoca de pronto a mudança de orientação no pensamento que marcouos anos em torno de 1968, durante os quais alguns elementos-chave de nossa presente apercepção cultural foram inventados. O significado, as conseqüências e a própria realidade dessa mudança são objeto de uma controvérsia que ainda grassa.Para os servidores espirituais da ordem, aquelas muitas “petites mains” que trabalham pela Maioria, amudança representou sobretudo algo de que foi e continua a ser preciso proteger as gerações futuras — os protetores de hoje tendo sido os protegidos de ontem e vice-versa e assim por diante —, difundindo a convicção de que o evento-68 se consumiu sem se consumar, ou seja, que na verdade nada aconteceu.A verdadeira revolução se fez contra o evento e foi ganha pela razão (para usarmos o eufemismo de praxe), força que firmou o Império como a máquina planetária em cujas entranhas realiza-se a união mística do Capital com a Terra — a “globalização” — e a sua transfiguração gloriosa em Noosfera — a “economia da informação”,ou “capitalismo cognitivo”.(Se o capital não está sempre com a razão,dir-se-ia que a razão está sempre com o capital.) Para muitos outros, ao contrário,os inservíveis que não conseguiram não escolher uma trajetória minoritária, insistindo romanticamente (para usarmos o insulto de praxe) que um outro mundo é possível,a propagação da peste neoliberal e a consolidação tecnopolítica das sociedades de controle só poderão ser enfrentadas se continuarmos capazes de conectar com os fluxos de desejo que subiram à superfície por um brilhante e fugaz momento; já lá vão quase quarenta anos. Para esses outros, o evento puro que foi 68 ainda não terminou, e ao mesmo tempo talvez nem sequer tenha começado, inscrito como parece estar em uma espécie de futuro do subjuntivo histórico.

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<A idéia de gênese na estética de Kant – Gilles Deleuze>

O juízo de gosto “é belo” exprime no espectador um acordo, umaharmonia de duas faculdades: imaginação e entendimento. Com efeito, se o juízo de gosto se distingue do juízo de preferência, é por que ele pretende uma certa necessidade, uma certa universalidade a priori. Ele toma do entendimento, portanto, sua legalidade. Mas esta legalidade não aparece aqui em conceitos determinados. A universalidade no juízo de gosto éaquela de um prazer; a coisa bela é singular, e permanece sem conceito. O entendimento intervém como a faculdade dos conceitos em geral, mas feita abstração de todo conceito determinado. A imaginação, por sua vez, exerce-se livremente, já que ela não está submetida a tal ou qual conceito.Que a imaginação entre em acordo com o entendimento no juízo de gosto significa, então, o seguinte; exercendo-se como livre, a imaginação entra em acordo com o entendimento tomado como indeterminado. O próprio do juízo de gosto é exprimir um acordo, ele mesmo livre e indeterminado, entre a imaginação e o entendimento. De modo que o prazer estético, longe de ser primeiro em relação ao juízo, depende dele, ao contrário: o prazer é o acordo das próprias faculdades, na medida em que este acordo, fazendo-se sem conceito, só pode ser sentido. Dir-se-á que o juízo de gosto só começa com o prazer, mas não deriva dele.

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<Post-scriptum sobre as sociedades de controle – Gilles Deleuze>

Foucault situou as sociedades disciplinares nos séculos VIII e XIX; atingem seu apogeu no início do século XX. Elas procedem à organização dos grandes meios de confinamento. O indivíduo não cessa de passar de um espaço fechado a outro, cada um com suas leis: primeiro a família, depois a escola (“você não está mais na sua família”), depois a caserna (“você não está mais na escola”), depois a fábrica, de vez em quando o hospital, eventualmente a prisão, que é o meio de confinamento por excelência. É a prisão que serve de modelo analógico: a heroína de Europa 51 pode exclamar, ao ver operários, “pensei estar vendo condenados…”. Foucault analisou muito bem oprojeto ideal dos meios de confinamento, visível especialmente na fábrica: concentrar; distribuir no espaço; ordenar no tempo; compor no espaço-tempo uma força produtiva cujo efeito deve ser superior à soma das forças elementares. Mas o que Foucault também sabia era da brevidade deste modelo: ele sucedia às sociedades de soberania cujo objetivo ef unções eram completamente diferentes (açambarcar, mais do que organizar aprodução, decidir sobre a morte mais do que gerir a vida); a transição foi feita progressivamente, e Napoleão parece ter operado a grande conversão de uma sociedade à outra. Mas as disciplinas, por sua vez, também conheceriam uma crise, em favor de novas forças que se instalavam lentamente e que se precipitariam depois da Segunda Guerra mundial: sociedades disciplinares é o que já não éramos mais, o que deixávamos de ser.

Tradução de Peter Päl Pelbart. In: Conversações: 1972-1990. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992, p. 219-226.

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<Agenciamento – por Luiz Fuganti>

O conceito de agenciamento torna-se então um operador de primeira ordem, uma vez que remete ao modo concreto de produção de realidade, em qualquer dimensão, material ou imaterial, e não à uma verdade que representaria o real. O agenciamento é antes de tudo um ACONTECIMENTO multidimensional. Todo agenciamento inside sobre uma dupla dimensão: 1) uma dimensão relativa às modificações corporais (ações e paixões) ou estados de coisas que efetuam um acontecimento, remetendo-os a uma formação de potências; 2) uma outra dimensão relativa às transformações incorporais ou enunciados de linguagem (atos) que efetuam o acontecimento na sua face incorporal e que remetem a um regime coletivo de enunciação. Estas duas dimensões são necessariamente atravessadas por um duplo processo e um duplo movimento: processo de descodificação das formas (forma própria do regime corpóreo e da forma própria do regime de signos ou da linguagem); e um movimento de desterritorialização ou de dessubstancialização das substâncias (das substâncias corporais ou coisas – estados do movimento – e das substâncias incorporais ou palavras – estados do sentido ou do tempo). A forma dos corpos e seus estados remete a lição das coisas. A forma do discurso remete a lição das palavras. As duas dimensões estão em pressuposição recíprocas e se atravessam e se conjugam, apesar de suas formas próprias heterogêneas manterem-se irredutíveis e autônomas. Esse atravessamento é provocado pela variação dos movimentos de desterritorialização e processos de descodificação do desejo, e faz mudar ora o estado das coisas e a condição de sensibilidade, ora o sentido de mundo e a condição de dizibilidade. Nessa medida, compreendemos que uma linha de fuga (ou de acontecimento) absoluta e virtual atravessa toda experiência real, pondo em variação permanente suas condições, e portando condicionando todo o processo de apreenção e produção do real. Assim também coloca-se em variação as condições de ensino e aprendizado: essa linha de variação virtual acaba por constituir, conforme o agenciamento que a efetua, os limites do que pode ser sentido, movido, dito ou pensado.

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<Germinal Life: a difference and repetion of Deleuze – Keith Ansel Pearson>

Deleuze’s turn to a conception of difference in the 1950s entailed a highly distinctive and novel Bergsonism since to write about Bergson at this time, and from the perspective of a concern with ‘difference’, was not a task that would have been either fashionable or predictable. Bergson has been an unduly neglected figure within recent continental philosophy. It is part of the brilliance of Deleuze’s readings to show the vital importance and continuing relevance of his great texts on time, creative evolution, and memory, for the staging of philosophical problems. I believe that the character of Deleuze’s ‘Bergsonism’ has been little understood, and yet I want to show that it plays the crucial role in the unfolding of his philosophy as a philosophy of ‘germinal life’. In this study the focus is on Bergson’s conception of ‘creative evolution’ and on the way in which an encounter with it can be shown to be of crucial importance for any attempt to comprehend and work through some of the central problems of philosophic  modernity. It is throughBergsonism that Deleuze seeks to re-invent this modernity and to articulate a radical project for philosophy.

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<O ato de criação> Gilles Deleuze

Eu gostaria também de formular algumas perguntas. Formulá-las a vocês e formulá-las a mim mesmo. Seria algo como: o que exatamente vocês fazem, vocês, homens do cinema? E eu, o que exatamente eu faço, quando faço ou espero fazer filosofia?

Poderia formular a pergunta de outra maneira: o que é ter uma idéia em cinema? Se fazemos ou queremos fazer cinema, o que significa ter uma idéia? O que acontece quando dizemos: “Ei, tive uma idéia”? Porque, de um lado, todo mundo sabe muito bem que ter uma idéia é algo que acontece raramente, é uma espécie de festa, pouco corrente. E depois, de outro lado, ter uma idéia não é algo genérico. Não temos uma idéia em
geral. Uma idéia, assim como aquele que tem a idéia, já está destinada a este ou àquele domínio.

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<Art Enconters: Deleuze and Guattari – Beyond Representation> Simon O’Sullivan

An object of an encounter is fundamentally different from an object of recognition. With the latter our knowledges, beliefs and values are reconfirmed. We, and the world we inhabit, are reconfirmed as that which we already understood our world and ourselves to be. An object of recognition is then precisely a representation of something always already in place.1 With such a non-encounter our habitual way of being and acting in the world is reaffirmed and reinforced, and as a consequence no thought takes place. Indeed, we might say that representation precisely stymies thought. With a genuine encounter however the contrary is the case. Our typical ways of being in the world are challenged, our systems of knowledge disrupted. We are forced to thought. The encounter then operates as a rupture in our habitual modes of being and thus in our habitual subjectivities. It produces a cut, a crack. However this is not the end of the story, for the rupturing encounter also contains a moment of affirmation, the affirmation of a new world, in fact a way of seeing and thinking this world differently. This is the creative moment of the encounter that obliges us to think otherwise. Life, when it truly is lived, is a history of these encounters, which will always necessarily occur beyond representation.

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<A User’s Guide to Capitalism and Schizophrenia – Deviations fron Deleuze and Guattari> Brian Massumi

Two nouns, two books, two authors: Capitalism and Schizophrenia is the shared subtitle of Gilles Deleuze and Félix Guattari’s Anti-Oedipus (1972) and A Thousand Plateaus (1980). The volumes differ so markedly in tone, content, and composition that they seem a prime illustration of their subtitle’s second noun. It is hoped that the present book will be as much. The “schizophrenia” Deleuze and Guattari embrace is not a pathological condition. For them, the clinical schizophrenic’s debilitating detachment from the world is a quelled attempt to engage it in unimagined ways. Schizophrenia as a positive process is inventive connection, expansion rather than withdrawal. Its twoness is a relay to a multiplicity. From one to another (and another . . . ). From one noun or book orauthor to another (and another . . . ). Not aimlessly. Experimentally.

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<Relations Scapes: movement, art, philosophy > Erin Manning

Concepts are events in the making. An event in the making is a thought on the cusp of articulation—a prearticulated thought in motion. How thoughts in motion become articulations is the subject of Relationscapes: Movement, Art, Philosophy. Throughout, my concern is to address the malleability of concepts that move, the expressivity of thoughts as they become feelings, the ontogenetic potential of ideas as they become articulations. This complex passage from thoughtto feeling to concepts- in- prearticulation to events- in- the- making foregrounds how thinking is more than the discrete fi nal form it takes in language. To come to language is more than to fi nalize form. To come to language is to feel theform- taking of concepts as they prearticulate thoughts / feelings.

Many concepts are at work in Relationscapes. This proliferation of concepts builds on the necessity for language to create new parameters for thought in the passage from feeling to articulation. To create concepts is to move with language’sprearticulations. In this mode of thinking / feeling, language does not yet know what it means. It has not yet defi ned where it can go. Language is creatively mired within the aff ective tonalities of how it can be heard, lived, written,imagined.

To arrive at language in the making, Relationscapes begins with the concept not of prearticulation but of preacceleration. The reason for this is that to thinklanguage before it takes form we must fi rst understand how to conceive of taking form itself. Taking form, I suggest, is key to a developing vocabulary of movementthat foregrounds incipience rather than displacement. What I mean by this is that movement need not be thought, in the fi rst instance, as a quantitative displacement from a to b. Following Bergson, Relationscapes places the emphasison the immanence of movement moving: how movement can be felt before it actualizes. Preacceleration refers to the virtual force of movement’s taking form. It is the feeling of movement’s in- gathering, a welling that propels the directionality of how movement moves. In dance, this is felt as the virtual momentum of a movement’s taking form before we actually move. Important: the pulsion toward directionality activates the force of a movement in its incipiency. It does not necessarily foretell where a movement will go.

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<The Reality of the Virtual: Bergson and Deleuze> Keith Ansel Pearson

In his 1966 text Bergsonism, Gilles Deleuze wrote that, “A philosophy such as this assumes that the notion of the virtual stops being vague and indeterminate” (B 96; 94). Today, however, the notion is widely treated in imprecise and ill-defined terms, namely, as all the other stuff that is not actual, something like the universe in its totality and unfathomable complexity. Such a view of the virtual, however, distortsthe crucial insights Henri Bergson is forging in Matter and Memory (henceforth abbreviated to MM). For Bergson it is the part that is virtual and the whole that is real. He strips matter of virtuality in order to show that, strictly speaking, a virtual life belongs only to subjectivity (we have virtual perception, virtual action, and virtual memory). For Bergson, individuated matter, what he calls a living center of action or zone of indetermination, develops in terms of a virtual-actual circuit M L N 1113 (O 249; MM 104). In other words, the individuated and living body is the site of the condition of possibility of the virtual. In Bergson and Deleuze, the notion of the virtual works in the context of specific problems and operates on a number of different planes. In this respect it requires a pluralist ontology since one can speak of diverse modalities of the virtual, even though one is, in fact, speaking of a being of the virtual: for example, one can speak of the virtual or partial object, of the virtual image, virtual memory, and so on. In the first section of the essay I shall focus attention on the subject of the virtual as we encounter it in Bergson; in the second section I shall turn my attention to Deleuze’s treatment of subjectivity in the case of virtual memory.

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<Desentranhando futuros> Suely Rolnik

O movimento de crítica institucional na arte, que se desenvolve pelo mundo ao longo dos anos 1960 e 70, transforma irreversivelmente seu regime e sua paisagem. Naquelas décadas, como sabemos, artistas em diferentes países tomam como alvo de sua investigação o poder institucional do assim chamado “sistema da arte ” na determinação de suas obras: dos espaços físicos a elas destinados e da ordem institucional que neles toma corpo, às categorias a partir das quais a história (oficial) da arte as qualifica, passando pelos meios empregados e os gêneros reconhecidos, entre outros tantos elementos. Explicitar, problematizar e superar tais limitações passam a orientar a prática artística, como condição de sua potência poética – a vitalidade propriamente dita da obra. Desta vitalidade emana o poder que terá uma proposta artística de ativar a sensibilidade ao concentrado de forças que ela presentifica na subjetividade daqueles que a experenciam; e, por extensão, ativar a sensibilidade dos mesmos às forças que transbordam a cartografia vigente em seu entorno e lhes exigem um trabalho de criação que redesenhe seus contornos.

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> The premonition of Guy Debord, by Franco (Bifo) Berardi

Ten years ago, on November the 30th, in an article on Debord’s death, I wrote: ‘Debord’s suicide is nothing more than his suicide and it is illegitimate to interpret it as a moment of his thought’. Really, it is wrong to interpret a such complex gesture as suicide on the basis of the simple complications of politics and philosophy. Having said that, today we not only have to think about the theoretical inheritance of situationism, but also about the premonition that the gesture contained. Today we can re-read the whole experience of situationism as a premonition and a painful foreboding.

The situationist movement dissolved when Paris walls started featuring the graffiti ‘power to the imagination’. 1968 was realising the dream of historical vanguards, Dadaism and Surrealism: the dream of the abolition of art and the routine of daily life and above all of the fusion of the two; the dream of a life where difference prevailed on repetition. But, as we later found out, imagination became crystallised in the Image and the predominance of the image paralised the imagination. Machines of homologated production of the Image have infiltrated the collective mind and wired it up by introducing psychic, linguistic and relational automatisms. We must recognise this: real society is no longer capable of imagining anything that has not been produced in the laboratories of the Global Homologated System.

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filosofia – micropolítica – militância estética e cultural