Do Teatro Pós-Dramático e das Dramaturgias Híbridas

A revista da Editora da UnB, Humanidades, publicou uma edição especial sobre o Teatro Pós-Dramático. A publicação vem em boa hora, principalmente porque o livro de Hans-Thies Lehmann, que difundiu o termo, não está, ainda, traduzido para o português. Temos, portanto, mais elementos à mão sobre esse universo das artes cênicas enquanto não sai a tradução: o teatro pós-dramático. Segundo Sílvia Fernandes, este pode ser definido como um “teatro de intensidades, forças e pulsões de presença, que não está sujeito à lógica da representação”.

Sobre o teatro pós-dramático, o número especial da revista traz os seguintes artigos:

Subversão no palco – Sílvia Fernandes

Ruptura conceitual e a influência no fazer teatral – Rosângela Patriota

A pedra de toque – Luiz Fernando RamosO ator e a gusca – Márcio Aurélio Pires de Almeida
Do texto ao contexto – Matteo BonfittoA linguagem do corpo – Soraia Maria Silva
No palco, a luz – Cibele ForjazLaços Sonoros – Lívio Tragtenberg
La fúria dels Baus e a violação do espaço cênico – Fernando Pinheiro Villar
Sinais de teatro-escola – Maria Lúcia de Souza Barros Pupo

À nossa disposição, portanto, uma série de análises que podem contribuir para a compreensão desse universo de criação que é o pós-dramático;

Em tempo: tive acesso à revista pela mão de Fernando Villar, que me deu esse belo presente, quando, no dia 16/10/07, realizou a conferência Dramaturgias Híbridas no Projeto Laboratório: Textualidades cênicas contemporâneas, projeto da linha de ação Arte Expandida experimentação nos Teatros Franciscon Nunes e Marília, realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura/Diretoria de Teatros.

Villar apresentou um painel do universo de criação cênica que perpassa os campos do pós-dramático e da peformance art, que ele intitula justamente de Dramaturgias Híbridas. Ele remontou ao que chama, também, de “história da ação testemunhada pelo público”, para caracterizar o sentido de performance num sentido amplo, não específico. Essa história teve o recorte conceitual desse campo que, para ele, sempre foi excluído das histórias oficiais do teatro – e que perpassa a performance art e pós-dramático.

Num primeiro lance, ele remonta às entradas das análise sobre esse campo de criação cênica, começando pelo livro de Roselle Goldberg, primeiro livro de Performance Art, lançado nos EUA em 1979, passando por Out of Actions: between performance and the object, de Paul Shimmell, em 1999, pelas análises de Josette Feral, que se refere à “morte de uma função anárquica” (fim das vanguardas históricas) e “surgimento de um novo gênero” (com as novas vanguardas), passando por contextos históricos e artísticos, desde Pollock, Cage, o grupo japonês Gutai, por Hiroschima e Nagazaki, entre outros acontecimentos. Depois, passou a apresentação dos grupos e artistas que configuram o universo configurado na junção da análise de Lehmann do teatro pós-dramático e das manifestações da performance art.

Por fim, Villar lembra que as Dramaturgias Híbridas são questões de uma live art: “arte ao vivo, arte da manipulação do eixo tempo-espaço, arte performática, arte da ação testemunhada, assistida, compartilhada…”

Por Luiz Carlos Garrocho

Artista cênico/performativo, filósofo, pesquisador e professor.

2 respostas em “Do Teatro Pós-Dramático e das Dramaturgias Híbridas”

Edmundo,

O Fernando Villar me trouxe de Brasília. Não vi, até agora, em nenhuma livraria.

A revista é uma publicação da UnB (Universidade de Brasília). Tente o seguinte endereço eletrônico, através do qual você poderá obter alguma informação sobre como adquirir:

revistas@editora.unb.br

Abraços

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