07 de setembro de 2013

 

07desetembro2013
Imagem: Jornal Contramão

O dia 07 de Setembro de 2013 foi emblemático. A maioria das cidades teve protestos com altíssima repressão da Polícia Militarizada: choques elétricos, balas de borracha e bombas de lacrimogênio e efeito moral. A imagem acima mostra os mascarados militares jogando ao chão um manifestante pobre e mascarado. O governo Anastasia ainda falava, pela boca de um megafone do comando militar,  dizendo que estavam protegendo as “pessoas de bem”!

O braço armado do Estado local mostra a que veio: aqui, em Belo Horizonte, não tem chances de virar Rio de Janeiro! E tudo isso com o aplauso da imprensa. Um dos jornais, o Estado de Minas, estampava na primeira página que a Polícia Militarizada iria agir com dureza contra mascarados: tolerância zero. Não mostrou outros lados, outras versões, ou  problematizou o enunciado do braço armado do Estado. Não há críticas. Apenas celebração!      

E que vai um registro: impressiona como os jovens, principalmente da periferia, estão dispostos ao enfrentar a Polícia Militarizada. E como muitos estão aderindo  à estratégia Black Bloc. Já vi, em outras manifestações, oficial militar constatando a virulência dos ataques desses jovens contra a PM. Não parecem temer o pior, pois o pior eles já vivem nas incursões militares nas vilas e favelas.

Algo a dizer sobre isso? Será que ninguém está vendo que muitos e muitos jovens simplesmente odeiam a Polícia Militarizada! E que a recíproca parece ser verdadeira? Não estou querendo reduzir os protestos a um único fator. Apenas realço um dos aspectos da coisa.

Fui diretor dos Teatros Municipais de Belo Horizonte (2005-2008). Um dos nossos projetos era o Hip-Hop in Concert. Projeto bacana, com adesão imensa de jovens. E tudo sempre muito pacífico. Uma pena mesmo que a Fundação Municipal de Cultura e Belo Horizonte tenha enterrado o projeto por desconhecimento, desconsideração e outras ego-trips. Mas posso testemunhar algo que me impressionou: quando alguma letra de música falava ou simplesmente citava a Polícia Militar os mais de 800 jovens levantavam e gritavam, numa fúria que dava medo.

Precisa dizer mais? E esses jovens depois se sentavam tranquilos, outros dançando alegres. Sem problemas. Então, em vez de aumentar o grau de violência, não seria a hora de os governos refazerem as políticas para a juventude e, principalmente, a política de segurança pública? E acabar de vez com a Polícia Militarizada, resquício da ditadura.

Já é clichê, mas as imagens falam mesmo por si.

Referências –

Jornal Contramão

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